24/04/2020

Coronavírus em animais: afinal, os animais podem contrair ou transmitir o novo coronavírus?

A chegada do novo coronavírus ao Brasil despertou muitas dúvidas e preocupações. Inclusive sobre a possibilidade de os animais de estimação pegarem o agente infeccioso causador da Covid-19. Daí a importância de fazer os esclarecimentos com base no que a ciência já descobriu até agora.

Cães e gatos podem contrair um coronavírus próprio de suas espécies. Ele nada tem a ver com a Covid-19 e não é transmitido para o ser humano. Por ora não há evidência de que pets estejam adoecendo pelo novo coronavírus nem que sejam capazes de propagar a doença.

Embora possamos ficar mais tranquilos em relação a isso, é preciso lembrar que, por se tratar de uma nova doença, devemos acompanhar o que as pesquisas sérias estão desvendando. As informações oficiais e atualizadas sobre esses estudos se encontram em boletins como o da World Small Animal Veterinary Association (WSAVA) — entidade na qual os clínicos veterinários de todo o mundo se baseiam hoje.

Agora, se o tutor pegar a doença, ele pode ficar na companhia do seu bicho durante a quarentena? A orientação atual é clara: pessoas infectadas pelo coronavírus devem ficar isoladas e adotar medidas para não transmitir a doença a seus familiares e colegas. Portanto é ideal também que não coloquem seus pets em exposição até demais estudos e informações.

CORONAVÍRUS EM CÃES E GATOS

Muito se tem falado a respeito do Coronavírus e o que ele pode causar no mundo inteiro. O que a maioria das pessoas não sabe é que diversos tipos de animais podem ser acometidos com o Coronavírus, pois trata-se de um vírus com variados subtipos que agem de forma “espécie-específica”, ou seja, na maior parte das vezes não é transmitido de uma espécie para outra.

Cachorros, gatos, aves, ferrets e outros animais, assim como os humanos, podem contrair o Coronavírus, mas cada um deles terá um tipo próprio. Os sinais clínicos apresentados dependerão da condição de saúde do indivíduo, sendo que aqueles com imunidade comprometida é que terão consequências mais graves.

Em cães, por exemplo, os Coronavírus são conhecidos como Canine Coronavirus (CCoV) ou Canine Respiratory Coronavirus (CRCoV), onde o primeiro causa quadros de diarreia e o segundo quadros respiratórios. Em gatos, é o coronavírus felino (FCoV) que merece atenção, pois é responsável por uma doença grave e de prognóstico ruim, a Peritonite Infecciosa Felina (PIF). Nenhum dos vírus que podem acometer cachorros e gatos é transmitido para humanos, que até agora só foram infectados por outros tipos bem distintos.

Atenção: por mais que notícias deem conta de que um cão na China foi testado positivamente para o COVID-19, ele não poderia transmitir a doença, pois teria sido um hospedeiro acidental.

NOTA ATUALIZADA: Conforme recomendação da WSAVA – World Small Animal Veterinary Association (Global Veterinary Community), como trata-se de um vírus ainda pouco conhecido e que até o momento não afetou animais de estimação, o indicado é que as pessoas positivas para COVID-19 não tenham um contato muito próximo com seus pets. Isso porque, alguns vírus podem sofrer mutações e se adaptar a diferentes espécies com o passar do tempo.

Como dissemos no início, várias espécies podem ser infectadas com o coronavírus. Aves, cavalos, ferrets, roedores, suínos, mamíferos aquáticos e outros podem apresentar doenças relacionadas ao vírus, mas os que merecem maior atenção são os morcegos.

Em cães, o coronavírus pode ser prevenido por meio da vacinação anual. A partir de uma pesquisa realizada pelo Fundador da Petlove, Marcio Waldman, em um projeto de Iniciação Científica orientado pela Dra. Mitika Hagiwara, Professora titular do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo junto a outros médicos veterinários, no ano de 1989 foi identificado pela primeira vez no Brasil o CCoV (coronavírus canino de sintomatologia entérica) e, com isso, foi possível  que a vacina contra o coronavírus entérico fosse incluída nas opções múltiplas (V8 e V10) em nosso País.

Nome da Orientadora: Dra. Ayla Garcia
Turma: Auxiliar Veterinário

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