17/12/2020

Por que aprender inglês ainda infância é tão importante?

O ser humano é a única espécie que jamais deixa de aprender. Desde seu primeiro momento de vida e até seu último, o cérebro está a postos para criar uma rede de neurônios que decodificará cada ação ou intervenção no meio, criando assim o conhecimento cognitivo.

O importante teórico e cientista da área da linguagem Lev Vigotsky traz duas contribuições valiosas para esse tema que discorreremos aqui: A organização do pensamento por meio das palavras e a Zona de Desenvolvimento Proximal que faz as já mencionadas redes neurais se desenvolverem.

Mas vamos simplificar o assunto. Vigotsky teoriza que quando uma criança se depara com um objeto ou situação que nunca teve contato antes, ela não sabe o que fazer com aquilo, mas não por isso deixa de investigar. A criança, com sua curiosidade tão necessária, traça estimativas e possibilidades diante da novidade e é então que parte para a tentativa de manipular, interagir como o novo. Se a tentativa falha, ela usa a informação do “não deu certo” para uma nova tentativa e é aí que se encontra a já descrita Zona de Desenvolvimento Proximal, que é pouco antes da criança desenvolver a habilidade, o conhecimento para lidar com a novidade. Quando ela finalmente tem êxito em realizar-se com o novo, ela formula uma rede neural que será ativada todas as vezes que se deparar com aquela mesma coisa, para que lide com ela.

Vamos a um exemplo claro: O primeiro dia de aula de inglês de uma criança a colocará diante de uma situação e de uma língua que ela jamais teve contato antes, então ela ainda não dispõe de mecanismos cerebrais que desvendem o que fazer naquela situação. A professora e os colegas recebem bem a criança e gentilmente explica o conteúdo, oferece apoio para realizar as pronúncias na nova língua e a então passa alguns exercícios para fixação. Diante da proposta de atividade a criança se verá em momento de reunir recursos os quais teve acesso para realizá-la e então buscará as explicações da professora, o apoio dos colegas. Com isso a criança na Zona de Desenvolvimento Proximal fará o exercício, fará a tentativa e diante da condução da professora consolidará o aprendizado, formando assim a rede de neurônios necessária para realizar aquele tipo de exercício e para ativar aquele conhecimento concretizado.

Vigotsky também menciona a importância da fala (das palavras) para organizar o pensamento. Vamos lá: tente pensar na rotina matinal de amanhã sem pensar em nenhuma palavra. Difícil, não é mesmo? Pois bem, precisamos desenvolver habilidades que envolvam a fala, leitura e escrita para ampliar a capacidade de organização do pensamento e, mais adiante, das emoções. Se lembra das redes neurais? Quanto mais trabalhamos nelas, quanto mais desenvolvemos novas habilidades relacionadas a ela, mais despojamos da possibilidade de aperfeiçoar nossos pensamentos, de organizá-los melhor.

Para finalizar podemos associar essas duas teorias vigotskyanas para afirmar a importância de aprender a segunda língua ainda na infância. A criança que aprende uma segunda língua desenvolve mais redes neurais vinculadas à fala e pensamento e isso a coloca em vantagem para seu próprio desenvolvimento como um todo e também em vantagem em relação as demais crianças que, por vezes, focam sua atenção em jogos repetitivos e programas de TV e internet que são pouco formativos.

Por isso, proporcionar o aprendizado de uma segunda língua e de todo esse imenso desenvolvimento potencial ao seu filho ou sua filha é o melhor presente que se poderia dar para toda a vida.

Por: Júlia Mathilde